natal

A sociedade de consumo e os seus fatigados cidadãos tinham mais em que pensar. Embora ainda faltasse um mês para o Natal, a orgia publicitária tinha já começado e a histeria aquisitiva alastrava, rápida e implacável como a peste, pelas ruas engrinaldadas da zona comercial. A epidemia varria tudo à sua frente e não era possível fugir-lhe. Abria caminho para o interior das casas e ia envenenando tudo e todos. As crianças berravam até à exaustão e os pais de família endividavam-se até às férias seguintes. A gigantesca armadilha legal do crédito fazia vítimas por toda a parte. Os hospitais enfrentavam um surto anormal de enfartes de miocárdio, crises de nervos e úlceras duodenais.
Maj Sjöwall e Per Wahlöö, O polícia que ri


3 Comments:
Ora aí está uma lúcida e realista descrição do Natal... É por isso que é das épocas do ano que mais me causam arrepios.
Bom domingo, amiga!
ahahah e os padres, nas suas missas, distribuiam hóstias licérgicas para gáudio das beatas apagadas...
natalem-me, pelize
Terrível. Do que eu gosto é da consoada, aliás, é da comida.
Beijos
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